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Introdução
Como se sabe, o golfe é um desporto praticado por pessoas de ambos os sexos e de todas as idades. Contudo, não deixa de ser um desporto exigente a nível de condição física e mental dos seus praticantes. Para que seja possível praticar bom golfe durante muitos anos é importante estar atento aos sinais que o organismo transmite.
Muitos dos praticantes pensam que os seus resultados só vão melhorar com treino num "Driving Range", quando por vezes o problema não se deve somente a questões técnicas.
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Assim, pretende-se com este espaço alertar e demonstrar aos leitores que alterações da condição física e mental podem influenciar o desempenho do jogador. E que a presença de diversos profissionais de saúde no acompanhamento do atleta será uma mais valia no seu desempenho.
Dito isto, desejo que a leitura destes artigos sejam de bom agrado para o leitor.
Carlos Guerreiro
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Melhore o seu nível de jogo melhorando a sua forma física!
A falta de flexibilidade e limitações articulares, bem como uma má postura corporal, resultará num swing forçado e numa maior probabilidade de contrair lesões.
Todos os grupos musculares devem estar em equilíbrio entre força e flexibilidade.
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| TEMAS |
A IMPORTÂNCIA DO AQUECIMENTO NO GOLFE
Entende-se por aquecimento o conjunto de exercícios que se realizam antes de se iniciar o jogo e que basicamente têm como objectivo a preparação fisiológica e psicológica do jogador para o jogo e prevenir lesões.
O aquecimento a nível muscular promove um aumento da temperatura corporal que entre outros factores influencia o aumento da irrigação sanguínea, melhora a ventilação pulmonar e a capacidade de transporte de oxigénio. Um músculo que tenha uma preparação prévia ao esforço, devido ao aumento da temperatura, contêm maiores quantidades de glicogénio e creatina e menores quantidades de ácido láctico, do que um músculo não preparado para o mesmo tipo de trabalho. O aumento da temperatura provoca ainda um aumento da flexibilidade de um músculo, modifica o seu tónus, melhorando a coordenação e facilita a contracção que juntamente com a flexibilidade aumenta a eficácia mecânica. A realização do aquecimento antes do esforço promove também o aumento da força e previne lesões.
Podemos resumir os principais efeitos do aquecimento no organismo da seguinte forma:
| Principais Alterações |
Sem Aquecimento |
Com Aquecimento |
| • Irrigação sanguínea |
Menor |
Maior |
| • Ventilação pulmonar |
Menor |
Maior |
| • Transporte de oxigénio |
Menor |
Maior |
| • Elasticidade |
Menor |
Maior |
| • Coordenação |
Menor |
Maior |
| • Eficácia mecânica |
Menor |
Maior |
| • Força |
Menor |
Maior |
| • Lesões desportivas |
Maior probabilidade |
Menor probabilidade |
| • Quantidade de produtos metabólicos |
Menor |
Maior |
| • Produção de ácido láctico |
Maior |
Menor |
Há cerca de 13 anos que pratico golfe e desde sempre que noto a existência de várias falências nos chamados golfistas de “fim-de-semana”. Estes chegam sempre ao clube em cima da hora de saída, sem fazer qualquer aquecimento, no qual segundo a minha experiência de observador, equivale a jogar mal os 3 primeiros buracos, ou seja cerca de 17% do jogo.
Seria interessante não desperdiçar estes preciosos 17% do jogo!
Para tal, devemos chegar ao Club House com tempo para tomar o pequeno-almoço e dispensar 30 minutos para dedicar ao aquecimento ou “warm-up”. Este aquecimento deve ser repartido por 8 minutos para exercícios de mobilidade geral e alongamentos, 10 minutos a bater pelo menos 25 bolas (começar com os tacos mais curtos e com movimento de pitching, depois full-swing com ferros curtos, médios e Longos, e por últimos as madeiras). Os restantes 12 minutos ficarão para treinar o jogo curto (chipp & putt), pois normalmente existe um putting-green junto ao tee de saída (e convém estar junto do tee de saída 10 minutos antes, conforme os regulamentos dos torneios).
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LESÕES DO COTOVELO NOS GOLFISTAS – EPICONDILITE E EPITROCLEÍTE
A epitrocleíte, conhecida como cotovelo do golfista (golfer’s elbow) é definida como uma inflamação dos tendões dos músculos do antebraço que se inserem na epitróclea (saliência óssea interna do cotovelo) e caracterizada por dor à palpação da mesma, assim como aos movimentos de flexão do punho e pronação do antebraço. Esta patologia não se encontra frequentemente entre os jogadores profissionais, sendo mais comum nos principiantes, nas mulheres, nos jogadores que apresentam um cotovelo em valgo e que apresentem overswing.
Apesar da ideia que a nomenclatura sugere, a epitrocleíte não é a lesão mais comum no golfe, uma vez que o cotovelo não é a articulação mais recrutada neste desporto.
Além do mais, também não constitui a lesão mais comum do cotovelo, sendo esta a epicondilite, conhecida como cotovelo do tenista (tennis elbow). É caracterizada pela inflamação dos tendões dos músculos que se inserem no epicôndilo (saliência óssea externa do cotovelo), desencadeando uma dor muito localizada à palpação, que por vezes irradia ao longo do bordo radial do antebraço e é desencadeada pelos movimentos de extensão do punho e de supinação do antebraço.
Estas lesões têm como principais causas:
• Erros técnicos no swing (jogadores que realizam o fullswing utilizando excessivamente os braços, em consequência de uma limitação na rotação do tronco);
• Sobreuso (excesso de treino);
• Idade (susceptibilidade superior em golfistas seniores);
• Ausência de um plano de aquecimento adequado;
• Nível reduzido de preparação física;
• Utilização de material inadequado (ex: varetas muitos fortes e pesadas, …).
As lesões do cotovelo provocadas por uma prática excessiva no jogador dextro afectam os músculos epitrocleanos do cotovelo direito e a inserção muscular do epicôndilo esquerd. É fundamental prevenir a evolução de pequenas inflamações dos tendões a lesões muito mais severas, como degenerações microscópicas que podem levar a futuras rupturas tendinosas.
O que fazer em caso de Epicondilite ou Epitrocleíte?
Nestas lesões (tendinites), o jogador deverá ser medicado com um AINE’S (anti-inflamatório não esteróide) e o tratamento indicado na fase aguda (primeiras 48 horas) terá como base a sigla inglesa PRICE – Protection (protecção), Rest (repouso), Ice (gelo), Compression (compressão) e Elevation (elevação).
A protecção poderá ser feita utilizando uma ortótese (ligadura elástica) ou uma ligadura funcional feita por um fisioterapeuta, que será a melhor opção, visto ser executada de forma personalizada e permitir o movimento selectivo (que não põe em tensão a zona afectada).
O repouso deverá ser de acordo com a gravidade da lesão, mas com duração mínima entre 24 a 48 horas. O repouso não é necessariamente absoluto, cingindo-se somente ao local da lesão, evitando movimentos do antebraço e punho do lado afectado.
O gelo aplicado logo após a lesão promove a diminuição da dor e estimula a vasoconstrição local, controlando a hemorragia e o edema (inchaço). Deverá ser aplicado durante 15 minutos a cada hora, nas primeiras 48 horas após a lesão, independentemente da forma sob a qual é utilizado (saco de cubos de gelo; ervilhas congeladas ou bolsa de gel – maior adaptação à zona afectada).
A compressão tem como objectivo reduzir mecanicamente a quantidade de espaço disponível para a acumulação de líquido que forma o edema, através da aplicação de pressão ao redor da área lesada. A melhor maneira de aplicar pressão ao nível do cotovelo é utilizando uma ligadura elástica ou funcional (também utilizada para a protecção).
Por último, a elevação auxilia a drenagem venosa e linfática para o sistema circulatório central. A melhor forma de o fazer numa lesão do cotovelo será colocar o cotovelo acima do nível do coração durante o repouso, especialmente durante o sono na fase aguda da lesão.
Logo após a ocorrência da lesão deverá procurar um fisioterapeuta para avaliar a gravidade da condição clínica, e caso seja necessário, iniciar Fisioterapia o mais precocemente possível, evitando o agravamento da lesão. Será ainda recomendada a correcção do gesto técnico (com um treinador de golfe) e aconselhamento na escolha do material desportivo, especialmente das bolas e varetas dos tacos (realização de um fitting).
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PUBALGIA NA PRÁTICA DO GOLFE
A pubalgia é a expressão de sintomas localizados no nível do púbis, com irradiações dolorosas em direcção aos adutores, aos
abdominais e às arcadas crurais.
Essas irradiações não são constantes, de acordo com a gravidade da pubalgia.
O golfe apresenta um gesto que dissocia a mobilidade dos ramos pubianos.
As influências que vêm do braço e as que vêm do apoio ao solo estão em contradição no nível da bacia.
O jogador de golfe deverá ter uma boa mobilidade da cintura escapular e da bacia para manter um movimento fluido e fácil,
prevenindo-se, assim, de toda a sobrecarga no púbis.
A pubalgia é muito menos frequente no golfe do que no ténis, no futebol ou no rugby. Por outro lado, o jogador de golfe
deverá cuidar da articulação dorsolombar para evitar nevralgias dos nervos abdominogenitais.
Nesse caso, o jogador apresentará dor no nível do baixo ventre, da virilha e algumas vezes dos testículos.
A simples liberação da coluna vertebral será a solução dessa patologia em curto espaço de tempo. Para estabilizar este
problema, que tem característica reicidivante, será necessário o tratamento pelas cadeias musculares.
Frequentemente, questiona-se se o golfe é bom para a coluna vertebral. A resposta é simples: sim. O movimento do golfe é o
mais natural, pelo menos para a coluna vertebral, porque é um movimento sinuisoidal.
Por outro lado, a prática do golfe coloca em evidência as colunas que têm fraca mobilidade e que necessitam de um tratamento,
tanto para obter a fluidez do gesto como o conforto físico.
O golfe, nesses casos, é um revelador, e não um agressor, como ele é frequentemente considerado.
Fontes de pesquisa:
Busquet, L. (2001). Les Chaînes Musculaires Tome III – La Pubalgie. (pp. 111 - 113). Paris: Éditions Frison-Roche.
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FRACTURA DO OSSO UNCIFORME NO GOLFE
O osso unciforme ou hamato é um osso da mão que pode ser distinguido pela sua forma de gancho, com um processo que se projecta para a superfície palmar. Está situado na parte interna do carpo. O seu nome deriva do Latim hamtus, que significa “gancho”. Esta fractura é pouco frequente e surge por excessiva compressão ou rotação ocorrendo fractura de stress quando o osso é lesado por repetitivos microtraumas.
Por ser uma fractura muito pequena, muitas vezes não é visível num RX normal.
O carácter repetitivo da técnica e os erros cometidos durante o impacto são as principais causas desta lesão. Nesta situação clínica, os golfistas referem dor difusa e profunda e/ou reduzida capacidade de preensão, verificando-se estabilidade fraca no local e dor à flexão resistida do 5º dedo. As fracturas crónicas podem levar a ruptura dos tendões flexores dos 4º e 5º dedos e neuropatia do nervo cubital.
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ALIMENTAÇÃO DO GOLFISTA
O corpo renova-se constantemente, todos os dias há células que desaparecem e são substituídas por outras que formam novos tecidos. A quantidade destes tecidos, assim como o rendimento físico e intelectual a alcançar, dependerá dos alimentos que se ingerem.
Os desportistas, sobretudo os jovens tem de perceber que para que os seus "motores" rendam ao máximo, a "gasolina" (alimentos) que devem abastecer deverá ser a melhor.
Deverá assim, dar ênfase ao plano alimentar para que permita uma recuperação e reparação rápida e eficiente dos tecidos.
Há tempos atrás, e ainda nos nossos dias, o golfe era considerado por leigos como um desporto passivo, praticado por pessoas importantes que não tem a energia suficiente ou cujas limitações físicas impedem de praticar outras modalidades mais exigentes. A imagem do golfista para o leigo é representada como um senhor de idade avançada, com peso excessivo, com um abdómen proeminente, pouca flexibilidade, escassa força e conduta alimentar nula.
Ao manter o peso corporal e uma percentagem de massa gorda adequada, incrementar a força e a flexibilidade, e especialmente adquirir correctos hábitos alimentares podem afastá-lo de doenças e ajudá-lo a baixar o seu handicap na saúde e no jogo.
As melhores opções para antes, durante e depois do jogo:
• O jantar no dia anterior ao jogo deverá ser o mais cedo possível para poder realizar a digestão antes de adormecer e este deverá ser constituído por alimentos de fácil digestão e bem suportados pelo nosso organismo. Há pessoas que suportam bem certos alimentos que outras não conseguem digerir, por isso, nada melhor que a experiência pessoal de cada um.
• Deverá evitar comidas muito condimentadas e cozinhadas e alimentos que façam gases abdominais, tais como: cebolas, maças, ovos, feijão grão, ervilhas, favas, couves, etc… A experiência de cada jogador dirá quais os alimentos a evitar.
• Deve evitar ir jogar de estômago vazio, deve comer pelo menos 2 horas antes da hora de saída;
• Os alimentos da dieta pré-competitiva não deverão ser desagradáveis para o jogador, pois o equilíbrio psicológico é muito importante. Porém, não deverá ingerir gorduras e proteínas em excesso.
• Não abusar de comidas gordas que atrasam a digestão e o esvaziamento gástrico por diminuição da mobilidade do aparelho digestivo;
• Deveremos ingerir um mínimo de proteínas, porque estas atrasam a digestão e podem provocar uma indesejável acidose, pois os produtos resultantes da metabolização das proteínas são ácidos;
• Jamais comer ameixas e figos antes da competição, pois são laxantes e podem causar diarreia;
• Não abusar o chá, álcool, cola, cerejas e morangos, pois são diuréticos e podem predispor à desidratação no decorrer do torneio;
• Antes de sair do tee 1, deverá beber abundante quantidade de água (pelo menos 0,5 litros). No saco não deve faltar bananas, bebidas isotónicas, barras energéticas, água, …
• As barras energéticas (com composição química ideal: hidratos de carbono e minerais - sódio e potássio) constituem uma excelente opção para manter os valores adequados de açúcar no sangue (muito importante para a concentração) e para recuperar de forma imediata a energia utilizada.
• As bebidas desportivas ajudam a prevenir e evitar a desidratação pelo seu conteúdo em minerais e açucares.
• Nos primeiros 8 buracos, será ideal que beba água em cada momento a que seja possível. No buraco 9, beba uma bebida desportiva para manter a energia e a concentração no jogo. Se estiver com apetite, poderá consumir uma fruta fresca ou uma porção de salada de frutas ou simplesmente uma banana. Sem deixar de beber água de forma permanente, nos seguintes buracos e até terminar, utilize uma barra energética ou ingira pedaços de banana.
• Ao chegar ao final, deverá sentir-se cansado pelo jogo, mas não extenuado e com falta de energia. Seleccionar correctamente os seus snacks (sólidos e líquidos) dentro do campo é tão importante como escolher o taco adequado. É sem dúvida uma parte fundamental na estratégia do jogo.
• No fim do jogo, os seus músculos apresentam uma acidez especial por recuperar a energia utlizada nos primeiros 30 minutos após terminar o jogo, deve aproveitar para recarregar energias de forma mais adequada, por este motivo o buraco "19" merece toda a atenção: na primeira hora, deverá ingerir alimentos ou bebidas ricas em hidratos de carbono: frutas frescas, tostadas, bebidas energéticas, uvas, …, e deverá ter cuidado com o alcóol. É sempre bom festejar o seu triunfo ou que partilhe com os seus parceiros, mas em nenhum caso o alcóol será a bebida indicada para hidratar, nem para recuperar as calorias gastas.
• Exemplo de um pequeno-almoço pré-competitivo:
| Fruta ou sumos de fruta |
| Queijo magro ou fiambre (pequena quantidade) |
| Croissants ou crepes ou tostas ou flocos de cereais com leite |
| Compotas ou mel |
| Não usar manteiga |
• Exemplo do jantar antes do dia da competição:
| Sopa de legumes |
| Pequena porção de carne ou peixe grelhado |
| Batatas cozidas e cenoura; ou esparguete ou arroz |
| Fruta ou pudim flan ou bolo |
Cuidados a ter na alimentação durante as deslocações:
As deslocações desportivas, principalmente quando realizadas a países com hábitos alimentares diferentes do nosso, podem trazer problemas.
Desta forma, deverá ter os seguintes cuidados:
• Contactar o local onde se vai hospedar para programar as suas refeições e se necessário levar mesmo alguns alimentos;
• Não utilizar alimentos nunca antes experimentados;
• Evitar bebidas estimulantes (café, chá preto, colas, etc.) que em associação com a eventual mudança de fusos horários ou falta de habituação à cama podem causar insónias.
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FORMULAÇÃO DE OBJECTIVOS: UMA TÉCNICA PSICOLÓGICA PARA TODA A VIDA!
“Já aprendi e percebi que o golfe tem de ser jogado buraco a buraco e tudo é possível para o bem e para o mal… mas o mais importante é jogar”.
(Mencionado por um jogador amador de Golfe).
A Formulação de Objectivos é uma estratégia que tem sido aplicada em Psicologia do Desporto para: melhorar a performance individual e/ou colectiva; aumentar o envolvimento e a implicação dos atletas; aumentar a confiança na sua capacidade de realização e fundamentalmente como uma das técnicas mais eficazes na motivação dos atletas.
Sendo o golfe um desporto individual, exigente e de grande precisão, esta técnica torna-se essencial para a optimização da performance.
Para que serve um objectivo?
1. Para que serve um objectivo?
2. Mobiliza esforços necessários para alcançar o objectivo definido, dentro de um tempo estabelecido.
3. Assegura a persistência necessária para o nível de actuação desejado.
4. Favorece o desenvolvimento de novas estratégias de aprendizagem.
Como se deve formular os objectivos?
“Hoje tenho que jogar bem!”; “quero ficar em 1º lugar”; “ preciso ter uma boa precisão nos putt ou nos shot” são uns dos exemplos de objectivos formulados por golfistas. É frequente no contexto desportivo se formular objectivos mas a grande dificuldade está em formulá-los de uma forma adequada e eficaz. Para tal, existem vários princípios a considerar, nomeadamente:
1. Formular objectivos específicos e não gerais ou meras
intenções
2. Formular objectivos ou metas quantificáveis e
mensuráveis
3. Formular objectivos que estejam sob autonomia/controlo
do atleta, ou seja, de rendimento em oposição aos de
resultado
4. Formular objectivos realistas, desafiantes e incrementais
5. Definir prazos temporais para a obtenção dos objectivos
6. Formular objectivos para treino e para a competição
7. Formulação de Objectivos Positivos em detrimento dos negativos
8. Identificação de Estratégias e Planos de Acção específicos para a concretização dos objectivos
9. Registo escrito dos objectivos
10. Ter em consideração as diferenças individuais de cada sujeito.
Os dois tipos de objectivos: Rendimento versus Resultado.
Objectivos de Rendimento
- Fornecem a flexibilidade e o controlo necessário ao desenvolvimento de um rendimento consistente, cognições competitivas positivas e uma percepção elevada da própria capacidade.
- Maior capacidade de ajustamento às dificuldades dos objectivos.
- Implicam um maior realismo nas metas traçadas.
- Estão associados a uma menor ansiedade e um nível de execução superior nas competições.
O sucesso é experienciado quando o atleta consegue suplantar os seus padrões de rendimento (mais estável dado que o sujeito pode controlar).
Objectivos de Resultado
- Falta de flexibilidade e de controlo necessário para assegurar aos atletas que retirem crédito do seu sucesso e consigam atingir um sucesso consistente.
- Menor capacidade de ajustar-se às dificuldades dos objectivos.
- Normalmente implicam o aparecimento de expectativas futuras irrealistas, que influenciam a auto-confiança, o rendimento, a motivação do sujeito e consequentemente promovem uma elevada ansiedade cognitiva.
O sucesso é concebido em função do ganhar e como este depende de várias variáveis não controladas pelo atleta, é menos estável.
Problemas comuns:
• Formulação de demasiados objectivos
• Incapacidade para reconhecer as diferenças individuais
• Formulação de objectivos muito gerais
• Rigidez na reformulação dos objectivos
• Incapacidade de formular objectivos de rendimento
• Incapacidade de criar uma atmosfera de apoio
• Objectivos indutores de stresse
Quais são as vantagens da formulação de objectivos?
A Formulação de Objectivos é deste modo, uma técnica psicológica para toda a vida podendo ser utilizada em todas as áreas de investimento do sujeito.
Dicas:
• Ficar satisfeito e valorizar as boas pancadas.
• Após uma pancada menos boa, PENSAR NA TAREFA (buraco) SEGUINTE.
• O esforço/empenho será sempre recompensado a curto ou a médio prazo.
• Aproveitar o golfe para se divertir!!
• Encarar cada jogo como um DESAFIO, como uma oportunidade para aprender e evoluir.
Rubina Araújo Vieira
(Psicóloga Clínica e de Desporto e da Actividade Física)
Fontes de pesquisa:
Weinberg, R. S., & Gould, D. (2003). Goal Setting In Foundations of Sport and Exercise Psychology (pp.330-348). Champaign, IL: Human Kinetics
Cruz, J. F. (1996). O Treino de Formulação de Objectivos como Estratégia Motivacional. In J. F. Cruz (Ed.) Manual de Psicologia do Desporto (pp.601-626). Braga: SH.O. Sistemas Humanos e Organizacionais
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ESTRATÉGIAS DE CONCENTRAÇÃO E DE RELAXAMENTO APLICADAS AO GOLFE
Todos os jogadores, em determinados momentos sentem “nervosismo”. Nesses momentos de nervosismo, ocorrem inúmeras alterações no interior do corpo, ao nível dos rins as glândulas supra-renais secretam quantidades abundantes de adrenalina.
A adrenalina quando lançada na corrente sanguínea, em quaisquer condições do meio ambiente que ameacem a integridade física do corpo (fisicamente ou psicologicamente) aumenta a frequência dos batimentos cardíacos e o volume de sangue por batimento cardíaco; eleva o nível de açúcar no sangue; minimiza o fluxo sanguíneo nos vasos e no sistema intestinal enquanto maximiza o fluxo para os músculos voluntários nos membros superiores e inferiores e “queima” gordura contida nas células adiposas.
Isto faz com que o corpo esteja preparado para uma reacção, deixa o raciocínio mais rápido, melhora a visão e fazem os pulmões trabalharem melhor. Como também os jogadores podem sentir vazio no estômago e tremor nos membros superiores e inferiores.
Essas descargas de adrenalina são uma situação normal e acontecem diariamente independente se o indivíduo pratica ou não algum desporto. Mas podem tornar-se num problema quando essa sensação se mantém sobre um efeito incessante.
É devido a tal que o treino de competências psicológicas é hoje em dia uma área considerada fundamental na preparação dos atletas para a competição.
De um modo geral, as intervenções realizadas em vários estudos apontam os efeitos benéficos dos programas destinados a recriar na mente dos atletas experiências tão próximas quanto possível da realidade (visualização mental), a necessidade de se definirem padrões específicos e realistas de rendimento (formulação de objectivos) e o papel crucial dos estilos de pensamentos positivos e ajustados face às exigências concretas de cada modalidade (planos mentais), bem como outras técnicas de relaxamento
O que o jogador pode Fazer
Visualização mental
Formulação de objectivos
Planos mentais
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Que técnicas podem ser recomendadas
Método Laura Mitchell
Stretching Global Activo
Acupressão
PNF-Chi
Técnica de Schultz
Eutonia de Jacobson
Sofrologia
Método de Wintrebert
Técnica de Jarreau e Klotz
Método Vittoz
Treino compensado de Aiginger
Método Feldenkrais
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VISUALIZAÇÃO MENTAL
É uma técnica psicológica que consiste em criar ou recriar uma determinada experiência concreta ou situação na nossa mente, quer a nível sensorial (visão, audição, tacto, olfato, cinestésico), quer a nível emocional.
A visualização mental, procura recriar experiências mentais no praticante tão próximas como aquelas que tendem a ocorrer na realidade permitindo maiores níveis de atenção e concentração, percepções mais elevadas de auto confiança, maior motivação e emoções mais positivas e também melhorias no rendimento desportivo.
A visualização mental é utilizada, fundamentalmente, para:
• Aprendizagem, aperfeiçoamento e manutenção de competências motoras;
• Regulação da activação e controlo do stress;
• Controlo atencional;
• Promoção da auto-confiança;
• Planeamente e avaliação de competições;
• Recuperação de lesões e controlo da dor.
MÉTODO DE LAURA MITCHELL
Este método tem como objectivo o relaxamento, e utiliza o conhecimento da postura de stress e tensão para o efeito.
Este método é composto por três partes: Fazer o movimento; Parar; Registar a sensação da nova posição.
Baseia-se no princípio da enervação recíproca, ou seja, quando um músculo se contrai o seu músculo antagonista (oposto) irá relaxar.
O que permite que os nervos ao nível das articulações e tendões reconhecem a posição, que é transmitida e registada no cérebro.
Permitindo uma redução da tensão psico-fisica, ansiedade e tensão ao nível dos pulmões e coração. Aquisição e economia de energia psico-física, como também auxiliam na formação da imagem corporal.
TREINO DE CONTROLO DA RESPIRAÇÃO
Respiração lenta e deliberada sequência de Inspiração – Expiração
A respiração adequada é uma das formas mais rápidas e eficazes de controlo da ansiedade e da tensão muscular.
O que faz:
1. Chave para alcançar o relaxamento.
2. Ajuda a manter a calma e controla os níveis de Ansiedade em situações ou momentos particularmente stressantes
3. Ajuda os atletas a alhearem-se por momentos da pressão da competição, constituindo a respiração uma nova estratégia de potencialização do rendimento.
Se um sujeito se concentrar na sua respiração será menos provável que se distraia com estímulos irrelevantes (olhares dos adversários, barulhos externos, etc...).
Qual o melhor momento para usar o treino de controlo:
Interrupção da acção, ao andar para a bola, descanso, tempos mortos, pausas...
ACUPRESSÃO
Milhões de chineses confiam na acupressão – uma variante da acupunctura, sem agulhas – para aliviar as queixas associadas ao stress, como a ansiedade. Uma forma rápida de aliviar a ansiedade ligeira é exercendo pressão sobre o ponto conhecido como a Porta do Espírito, localizado na parte de fora do pulso, por baixo da primeira prega e no alinhamento do dedo mindinho. Pressione sobre este ponto até ter uma sensação de dor semelhante a quando magoa o osso cubital.
Mantenha a pressão durante 15 a 30 segundos e, depois, alivie. Para obter os melhores resultados, não se deve trabalhar sobre o mesmo ponto mais de duas a três vezes por dia.
STRETCHING GLOBAL ACTIVO (SGA)
O SGA é uma técnica de alongamento baseada no método de Reeducação Postural Global (RPG), criado em 1995 pelo fisioterapeuta francês Philippe Souchard.
Philippe Sochaurd constatou que o alongamento global usado na RPG, poderia ser aplicado também para o ganho e manutenção do alongamento na performance desportiva. Hoje é igualmente aplicável e adaptado aos problemas do dia-a-dia, como prevenção de lesões relacionadas à má postura e às actividades repetitivas impostas pelo trabalho, podendo ser utilizado individualmente ou em grupo, atletas de alto nível ou para qualquer pessoa sedentária.
O SGA é global porque vários músculos são solicitados simultaneamente (inclusive os músculos respiratórios), sem que haja compensações em outras partes do nosso corpo, ou seja, preservando o alinhamento do corpo e o espaço das nossas articulações, as curvaturas da coluna vertebral e os discos intervertebrais. É realizado mediante autoposturas de alongamento das cadeias musculares. Estas autoposturas são escolhidas com base em uma avaliação específica, de acordo com a necessidade das actividades praticadas pelo desportista. Assim seremos capazes de atenuar os efeitos da sobrecarga das estruturas musculoesqueléticas, decorrentes dos movimentos repetitivos de cada actividade.
Esta técnica trará benefícios não só em termos fisiológicos, como também um bem-estar e um relaxamento psicológico.
PNF-Chi
Técnica de mobilização activa global (criada e desenvolvida pelos Fisioterapeutas Eva Albuquerque e Paulo Araújo), segundo os padrões de movimento do corpo, coordenado com a respiração, inspirada em alguns princípios do Tai-chi e princípios neurofisiológicos do PNF (Proprioceptive Neuromuscular Facilitation).
TÉCNICA DE SCHULTZ
No seguimento a trabalhos, observações sobre hipnose, Schultz elaborou um método de relaxamento ou treino autógeno que consiste na indução de uma série de exercícios fisiológicos racionais determinados cuja meta é levar o corpo e o espírito ao repouso, e procurar uma sensação generalizada da pessoa.
TÉCNICA DE JACOBSON
Jacobson fixa-se no nível fisiológico e acredita na existência de uma relação entre o emocional vivido e o grau de tensão muscular.
Algumas pessoas que estão frequentemente física ou psiquicamente hipertensas acabam por apresentar problemas picossomáticos. É então necessário aprender a se observar e a se controlar.
Jacobson pôs então em prática a sua técnica cujo objectivo é diminuir o tónus muscular. Para que isso ocorra, é necessário que, em repouso, se torne consciência da diferença de sensação entre a contracção e o relaxamento muscular.
OUTRAS TÉCNICA E MÉTODOS
Eutonia de Gerda Alexander, Sofrologia, Método de Wintrebert, Técnica de Jarreau e Klotz, Método de Vittoz, Treino Compensado de Aiginger, Método Feldenkrais, …
OUTROS CONSELHOS
RITMO DE JOGO
Cada jogador possui o seu ritmo natural, que engloba desde a cadência a que processamos a informação e reagimos a ela, à capacidade de aumentar a energia ou acalmar a nível emocional.
È importante que cada jogador descubra qual o seu ritmo natural do jogo, e que o mantenha tanto em treinos como em competições.
Um jogador não deve jogar um shot sem que se sinta pronto. Por isso mesmo, é fundamental criar uma boa rotina pré-shot de forma a não alterar a condição emocional nem física deste.
SUPERSTIÇÕES
Não subestimar as superstições que o jogador tem em relação ao golfe,uma vez que estas podem afectar o rendimento do jogador (inibição).
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TREINO AERÓBIO PARA O GOLFE
Treino Aeróbio
O treino aeróbio visa fundamentalmente o desenvolvimento das funções cardíaca, circulatória e respiratória, provocadas pelo aumento da exigência de oxigénio no organismo por esforços físicos com uma predominância aeróbia.
Um programa de treino é constituído por três componentes básicos: a frequência (número de sessões semanais), o volume (duração) e a intensidade de exercício. A duração e a frequência são variáveis relativamente fáceis de monitorar.
| Recomendações da American College of Sport Medicine (ACSM) |
| Frequência |
3 a 5 dias por semana |
| Duração |
15 a 60 minutos contínuos |
| Intensidade |
60% a 90% da Fc máx ou 50% a 85% do VO2máx |
Muitos estudos têm verificado que a frequência cardíaca (FC) e o consumo de oxigénio (VO2) são linearmente relacionados nas diversas intensidades sub-máximas de exercício. O conhecimento deste fenómeno permite a prescrição do exercício com base na %FC máx., ao invés da %VO2 máx., que requer complicadas e caras análises de gases.
Para descobrir a zona alvo de treino aplicamos a fórmula de Karvonen (1957), tanto para o limite inferior como para o superior:
| Fórmula |
FcT = %T (Fcmáx - Fc rep.) + Fc rep. |
| Definições |
FcT = Frequência cardíaca de treino;
%T = percentual de treino;
Fcmáx = Frequência cardíaca máxima (FCmáx = 208 – 0,7 × idade);
Fc rep. = Frequência cardíaca de repouso.
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| Intensidade |
60% a 90% da Fc máx ou 50% a 85% do VO2máx |
| Exemplo |
Um jogador de 22 anos e com uma Frequência cardíaca em repouso de 65 bpm, A que frequência cardia de treino deve treinar? |
| Resolução |
FCmáxima = 208 – 0,7 × idade = 208 – 0,7 × 22 = 192,6 bpm
FCreserva = FCmáxima – FCrepouso = 192,6 – 65 = 127,6 bpm
FCtreino = FCreserva × % + FCrepouso = % ×127,6 + 65
FCtreino a 70% =70% × 127,6 + 65 = 0,70 × 127,6 + 65 = 154,32 bpm
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| Resposta |
Deverá treinar a 154 bpm durante 15 a 60 minutos com a frequência entre 3 a 5 vezes por semana. |
O treino aeróbio ou cardio-respiratório propicia a melhoria da capacidade da circulação central no fornecimento de oxigénio, assim como o melhor aproveitamento do oxigénio pelos músculos activados durante a execução do exercício, permitido ao indivíduo o desenvolvimento da capacidade de sustentar por um período longo de tempo, uma actividade física em condições de equilíbrio fisiológico.
Como descrito atrás, este tipo de treino aumenta a exigência de oxigénio no organismo, uma vez que o VO2 pode ser modificado pelo treino até certo ponto, pois estima-se que 90% da sua variabilidade é determinada geneticamente. Mas o condicionamento aeróbio é reversível assim como qualquer tipo de treino, ou seja, os efeitos benéficos do treino não são cumulativos, mas transitórios, independentemente dos anos de treino do atleta, processando-se com certa rapidez, após uma ou duas semanas.
As respostas ao treino aeróbio dependem de vários factores como o nível de aptidão inicial, a intensidade, a frequência e a duração do treino que terão de ser analisadas no indivíduo de uma forma longitudinal. Das respostas referidas destacam-se as seguintes:
| Principais alterações do treino aeróbio |
| No músculo |
• O aumento do conteúdo de mioglobinas.
• Aumento da capacidade de oxidação dos carbohidratos e gorduras
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| Em repouso |
• Aumento do volume cardíaco
• Diminuição da frequência cardíaca
• Aumento do débito sistólico
• Aumento do volume sanguíneo e da quantidade hemoglobina total
• Hipertrofia dos músculos
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| No sistema de transporte de oxigénio |
• Discreta ou nenhuma alteração no consumo de oxigénio evidenciada pelo aumento da eficiência mecânica do praticante.
• Menor retenção de ácido láctico (ie. menor dor muscular pós o exercício)
• Diminuição ou nenhuma alteração do débito cardíaco ou rendimento cardíaco.
• Aumento do volume de ejecção sistólica ou débito sistólico pelo aumento da cavidade ventricular. Quanto maior o volume de sangue que chega a cavidade maior será a injecção sistólica.
• Diminuição da frequência cardíaca (um coração com batimento lento é mais eficiente, precisando de menos oxigénio para manter um nível satisfatório de débito cardíaco).
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| Na capacidade máxima de trabalho |
• Aumento da capacidade máxima de absorção de oxigénio - VO2 máx.
• Aumento da acumulação de ácido láctico
• Aumento do débito sistólico
• Diminuição ou nenhuma alteração da frequência cardíaca máxima.
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| No sistema respiratório |
• Aumento da ventilação pulmonar
• Aumento da eficiência respiratória
• Aumento dos volumes pulmonares
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| Outras alterações |
• Diminuição da gordura corporal, preservando o tecido magro do corpo.
• Redução dos níveis de colesterol e triglicerídeos.
• Redução da pressão arterial em repouso e durante o exercício.
• Melhoria da acomodação ao calor, permitindo-se a prática de exercício de maneira mais confortável em ambientes mais quentes.
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Resumindo:
O treino aeróbio deve ser feito de 3 a 5 vezes por semana, em dias alternados para uma melhor recuperação do organismo. A duração da actividade deve ser no mínimo de 20 minutos podendo ou não ultrapassar o período de uma hora (conforme o condicionamento físico do executante). A intensidade deve ser na faixa de 50% a 85% do VO2 máx. ou podemos relacionar com a Fc max. de 60% a 90%, mesmo não sendo tão fidedigna quanto a faixa do VO2 máx., mas que traz uma maior praticabilidade no planeamento e controle do treino.
A eficácia da prescrição e da orientação das rotinas de exercícios físicos depende, em grande parte, da combinação adequada desses componentes, em que o domínio das informações relacionadas à produção de energia para o trabalho muscular é fundamental.
Aplicabilidade do treino aeróbio no Golfe
O desenvolvimento das funções pelo treino aeróbio não influencia a execução específica do swing. No entanto tem um efeito benéfico na performance, a nível da concentração e da coordenação motora.
No swing, a sua execução e a manutenção da postura correcta comporta custos energéticos ao organismo, que se vão acentuando ao longo de um percurso de golfe. A eficiência do movimento no final de um jogo está totalmente dependente do aparelho cardio-respiratório.
Quanto maior for a eficiência deste aparelho, melhor será a capacidade do organismo gerar a energia necessária à execução do swing, manutenção da postura, controlo motor de todos os grupos musculares envolvidos no movimento e a capacidade de concentração.
Como em todos os desportos, o golfe necessita de um treino de grande especificidade, é altamente técnico e é compreensível que os jogadores queiram gastar a maior parte do tempo possível a corrigir a técnica e a melhorar a estratégia de jogo. No entanto, sem uma condição física adequada terá dois factores contra: o cansaço e o aparecimento de dor e de lesões.
É habitual ver os jogadores amadores diminuírem o seu rendimento nos últimos 4-5 buracos, devido ao cansaço que se deve a uma debilidade da capacidade aeróbia.
Infelizmente, o ritmo relativamente lento de uma volta de golfe não poderá fornecer uma actividade aeróbia suficiente, fazendo com que seja necessário exercício específico. A condição física aeróbia pode ser atingida através de uma variedade de exercícios, tais como jogging, bicicleta, passadeira, elíptica, remo, etc.
| Principais Benefícios do treino aeróbio para o golfe |
| 1- Diminui a fadiga muscular, acelera a recuperação e evita a alteração da coordenação |
| 2- Diminui os factores de risco coronário |
| 3- Favorece o controlo de peso (melhorando a eficiência na utilização de gorduras e gasto calórico) |
| 4- Melhora a concentração ao diminuir/retardar o cansaço |
| 5- Aumenta a confiança |
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BENEFÍCIOS DO EXERCÍCIO FÍSICO NO GOLFE
De que forma o exercício físico beneficia o nível do jogo e a saúde do atleta?
Em primeiro lugar, devem-se ter em atenção as diferentes classes etárias a que pertencem os indivíduos que praticam golfe.
Independentemente da classe etária a que pertencer o praticante de golfe, o exercício físico trará grandes benefícios, não só ao nível do jogo, como também ao nível da saúde. Para os indivíduos de classes etárias mais elevadas, o treino assume maior importância uma vez que o processo de envelhecimento corporal ocasiona perda de flexibilidade, força, potência e coordenação musculares, bem como da eficiência cardiovascular.
Dito isto, reparemos nos benefícios que um bom condicionamento físico pode trazer dedicando apenas algumas horas semanais.
Benefícios do Exercício Físico |
Nível Fisiológico |
Regula os níveis de glucose |
| Estimula os níveis de adrenalina e noradrenalina |
| Melhora resistência cardiovascular |
| Provoca aumentos de força e resistência |
| Ajuda a preservar e a readquirir flexibilidade |
| Melhora equilíbrio e coordenação |
| Controlo da velocidade do movimento (que com a idade tem tendência a decrescer) |
Nível Psico-Social |
Favorece o relaxamento |
| Melhora o bem-estar geral |
| Melhora o controlo motor |
| Proporciona novas aprendizagens |
| Melhora a qualidade de vida |
| Integra o indivíduo com a natureza e comunidade |
Esses benefícios irão melhorar as qualidades físicas, denominadas de capacidades motoras, que se resumem em três grandes áreas:
1. Resistência
2. Força
3. Flexibilidade
De seguida serão definidos estes conceitos e os benefícios dos diferentes tipos de treino que melhoram as diferentes capacidades motoras do atleta.
• Resistência Cardiovascular
A resistência cardiovascular define-se como a capacidade aeróbia. A capacidade aeróbia é a capacidade que o sistema cardiovascular possui para distribuir o sangue e o oxigénio aos músculos activos e de estes usarem o oxigénio e nutrientes para realizarem trabalho durante stress físico.
A capacidade aeróbia é influenciada por diversos factores tais como a pressão arterial, a frequência cardíaca, o colesterol, os níveis de triglicéridos, e ainda o nervosismo.
O facto de um jogador "não correr no campo" não implica que não esteja a realizar uma actividade na qual trabalha o sistema cardiovascular.
Se um jogador está ansioso ou se cansa nos últimos buracos, pondo-o mais nervoso, produz-se uma descarga de adrenalina que, por sua vez, leva a uma elevação da frequência cardíaca e da pressão arterial. Em consequência, os jogadores devem estar preparados para tolerar este incremento sem que este influencie negativamente sobre o rendimento.
Por este motivo, os jogadores de golfe deverão saber os valores do colesterol e os níveis de triglicéridos no sangue, bem como a resposta da tensão arterial ao exercício, para confirmar se jogam sem riscos.
O aumento da capacidade aeróbia faz com que os músculos tenham uma recuperação mais rápida e permite que a concentração se mantenha durante todo o jogo. Isto é indispensável para os golfistas sobretudo em partidas superiores a 4 horas, bem como em torneios que decorrem durante dias sucessivos.
• Força e Resistência Muscular
A força muscular pode ser definida como a força ou tensão que um músculo ou, mais correctamente, um grupo muscular consegue exercer contra uma resistência, num esforço máximo.
A resistência muscular define-se como sendo a capacidade de um músculo ou grupo muscular realizar contracções repetidas contra uma carga ligeira por um longo período de tempo.
Como na maioria dos desportos, a fadiga muscular e o cansaço geral constituem factores chave na diminuição da performance dos golfistas. Para jogar bom golfe, é necessário ter boa técnica, estratégia de jogo, tranquilidade e lucidez mental.
As margens de erro são mínimas no golfe e pequenos níveis de cansaço muscular podem reduzir notavelmente o rendimento e os resultados. Quantas vezes vemos jogadores muito talentosos, que têem um bom desempenho nos primeiros dois dias de torneio, e que a partir do terceiro dia começam a piorar o seu jogo, caindo muitas posições. O motivo mais frequente é a fadiga, que não afecta só a performance física, como também a claridade mental para decidir qual é o taco adequado ou o tipo de shot mais conveniente. A fadiga muscular influencia directamente a concentração e a coordenação neuromuscular, essenciais para a correcta execução do swing. Por este motivo, é fundamental o trabalho de resistência e força muscular, uma vez que a ausência de fadiga é um dos factores associados à regularidade e à consistência do jogador de golfe.
• Flexibilidade
A flexibilidade é definida como o grau de amplitude de uma articulação. É responsável pela execução de um movimento na amplitude articular máxima, dentro dos limites morfológicos e anatómicos, sem o risco de ocorrência de lesões.
A flexibilidade é importante na realização de determinados gestos desportivos e movimentos que, de outra forma, seriam impossíveis de ser realizados. No golfe este treino é primordial, tanto para a potência do swing, como para a precisão no jogo curto e na regularidade do jogo.
A flexibilidade aumenta a eficiência mecânica dos movimentos, fazendo com que o atleta tenha um desperdício menor de energia na execução das suas actividades, além de prevenir lesões e vícios posturais, reduzir as tensões musculares e auxiliar na melhoria da contractilidade muscular, factores que contribuirão para a maior qualidade da técnica do swing.
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A POSTURA CORPORAL DO GOLFE
A postura é uma palavra muito utilizada entre os profissionais de golfe, contudo é interessante analisar que a maioria dos livros escritos por “gurus” da modalidade estão “minados” de fotografias com jogadores com má postura. Basta prestar atenção a uma competição com transmissão na TV e levará apenas alguns segundos para encontrar um jogador de grande qualidade com projecção anterior da cabeça, com hipercifose dorsal e/ou com rectificação da coluna lombar. Porque será que esta noção do corpo se fica só pela mente? Daí que os treinadores não tenham competência para corrigir estes problemas posturais e se agem frequentemente como pais a reprimir uma criança, dizendo “endireita-te”.
A postura, tal como outros aspectos individuais, não é algo passível de ser alterada apenas por se pensar nela. Aliás, a correcção postural é uma capacidade que deverá servir de base em cada processo de treino e melhoria da função (neste caso o swing).
Um golfista com má postura irá ter muitas dificuldades em evoluir no seu handicap. Pode certamente observar a postura daqueles jogadores que já jogam há muito tempo e que não conseguem evoluir. Estes nunca o irão conseguir apenas com aulas de golfe, exigindo antes de mais nada, a ajuda de um Fisioterapeuta especializado em Reeducação Postural Global, para que posteriormente consigam seguir as indicações dadas por um professor de golfe. Só assim o jogador poderá evoluir, beneficiando de um corpo mais saudável e sem compensações, tendo menor probabilidades de contrair lesões e de sentir desconforto, dor ou outros sintomas (cefaleias, parestesias dos membros, etc…)
Só através de uma postura correcta será possível ao jogador manter o equilíbrio correcto e garantir que a sua coluna vertebral não sofre uma pressão exagerada. Adoptar uma boa postura irá ajudar a rentabilizar os músculos mais adequados ao swing.
Então como deverá ser a postura correcta?
Há que distinguir a diferença entre a postura estática e dinâmica. Essa diferença acentua-se no jogador de golfe, porque a posição de sentado ou de pé num bom alinhamento postural não garantem a manutenção do mesmo alinhamento no momento da tacada e, consequentemente, na realização do swing. Todos os jogadores de golfe devem portanto, ser capazes de compreender o seu corpo na posição estática e ainda mais transpor esses parâmetros para a realização do swing.
Adicionalmente, a postura no address deverá ser analisada. A postura dinâmica durante o swing é igualmente importante pois esta pode diferir bastante da postura estática.
A postura no address é descrita pelos treinadores de golfe como parte integrante de todos os aspectos do swing.
Ben Hogan descreve que no início do address a curvatura inicial deve vir da flexão dos joelhos mantendo-os descontraídos, no entanto, com ligeira tensão.
No address, se deixarmos cair um fio de prumo no ombro do golfista, este deve cair na base de sustentação (a meio dos pés). Quando o jogador olha para a bola, deverá ter o cuidado para que o tronco não fique flectido e para levar o olhar à bola, necessita apenas de flectir as suas vértebras cervicais superiores.
O que pode fazer para melhorar a sua postura?
Deverá procurar um Fisioterapeuta especializado em Reeducação Postural Global, que lhe irá fazer uma avaliação física para posteriormente no tratamento dar maior ênfase às zonas com maior “deformação” e/ou responsáveis pelas queixas dolorosas/sintomas.
A Reeducação Postural Global é um método criado pelo fisioterapeuta francês Philippe Souchard, o qual foi apresentado ao mundo na obra “O Campo Fechado”, publicada em 1981, depois de 15 anos de pesquisas, continuando a ser desenvolvida por ele próprio e pelos seus variados colaboradores. A Reeducação Postural Global fundamenta-se nos princípios da individualidade, causalidade e globalidade, e o tratamento baseia-se num trabalho postural activo, onde através de posturas, criteriosamente escolhidas através de uma avaliação, se estiram todas as cadeias musculares, em conjunto com um trabalho respiratório específico e a terapia manual do Fisioterapeuta.
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A MASSAGEM NO GOLFE
Os atletas necessitam de cuidados redobrados antes e após um torneio importante.
Estes cuidados são, sobretudo, aconselhado a jogadores de golfe exigentes.
A massagem talvez seja dos métodos mais utilizados e publicitados na recuperação desportiva. Claro que a massagem tem um papel importante, desde que executada por profissionais qualificados. Porém, a massagem não é solução para todas as situações, tem diversas técnicas de execução conforme o objectivo a atingir e tem mesmo, por vezes, algumas contra-indicações.
No golfe, a massagem pode ser utilizada em duas situações distintas: massagem de competição (durante um torneio) e massagem de manutenção/ recuperação.
A massagem de competição divide-se em três fases: pré-competição, inter-competição (entre dias de competição) e pós-competição.
No desporto em geral, a massagem é muito utilizada na fase pré-competitiva, na chamada fase de aquecimento. Sabe-se actualmente que, embora certos métodos de massagem aumentem o aporte sanguíneo aos músculos e assim os preparem para a competição, nunca conseguiremos obter com a massagem os efeitos de um trabalho muscular activo geral ou específico, nos grupos musculares mais solicitados no swing de golfe. Assim, a massagem ocupa um lugar secundário na fase pré-competitiva, tendo um interesse mais psicológico que físico, e poderá mesmo ser prejudicial no caso de serem utilizadas técnicas que provoquem um relaxamento muscular excessivo.
Durante um torneio, a massagem deverá ser programada e será adaptada pelo Fisioterapeuta a cada fase de competição, quer seja no ritmo, na duração, bem como na profundidade.
Após o final de uma competição, o golfista deverá fazer um ligeiro trabalho muscular activo, e logo de seguida terá indicação a realização de massagem das massas musculares mais solicitadas no golfe. A realização de massagem utilizando a técnica de petrissage (amassamento) lenta e profunda e pressões locais alternadas com a técnica de embranlements favorece a resolução da tensão muscular pós-competitiva criando um estado de relaxamento muscular, facilitando igualmente a drenagem linfática e venosa e, assim, a eliminação de determinados metabolitos energéticos, como o ácido láctico.
A massagem está igualmente indicada no alívio das dores musculares difusas, que aparecem mais intensamente 24 horas após a competição, bem como nas contracturas musculares pós-competitivas.
Na massagem de recuperação desportiva podem ser utilizadas outras técnicas como os deslizamentos superficiais e profundos executados duma forma lenta e suave, pois só assim terão um efeito relaxante. Quando são executadas rápida e vigorosamente têm um efeito muscular estimulante, que não visa os objectivos da massagem de recuperação desportiva. Poderão ainda ser utilizadas outras técnicas, como os deslizamentos superficiais centrípetos, as petrissages lentas e suaves, a foulage e as técnicas de drenagem linfática.
No entanto, a massagem tem contra-indicações na fase de recuperação desportiva, principalmente se resultaram lesões músculo-tendinosas da competição com consequentes inflamações, roturas ou hematomas. Nestas situações a massagem não está indicada nos primeiros dias. Mais uma vez salientamos que a massagem deverá ser executada por profissionais especializados, pois o diagnóstico diferencial entre dores musculares originadas pela fadiga muscular e outras originadas por lesões musculares nem sempre é fácil.
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A IMPORTÂNCIA DA FLEXIBILIDADE NO GOLFE
O conceito de “desportista completo” começa a assumir importância para os golfistas que querem evoluir no seu jogo. O trabalho de força e de resistência muscular costuma protagonizar os mais diversos tipos de preparação física do golfista, sendo que, muitas vezes, o trabalho de alongamento é deixado para segundo plano. Neste contexto, é importante realçar que um desportista só terá uma relação de integridade para com a prática física se incluir nos seus treinos o trabalho de flexibilidade.
A flexibilidade é a capacidade para mover uma articulação ou várias articulações através de uma amplitude de movimento livre de dor e sem restrições. É um factor indispensável para que todos os nossos movimentos sejam ágeis, sendo uma condição prévia necessária para a execução de um correcto swing.
Sem a flexibilidade adequada será impossível realizar rotação 40º-50º da bacia e 90º-100º do tronco durante o decorrer de toda uma volta de golfe, o necessário para a realização de um bom swing. Quando por falta de flexibilidade não se conseguem estas amplitudes, o swing é realizado às custas dos braços, o que afecta notavelmente a potência e a qualidade do impacto. Este tipo de swing é característico dos golfistas seniores, no entanto também podemos ver jovens que, por falta de flexibilidade, jogam utilizando demasiadamente os braços ao invés da rotação do tronco.
Igualmente, a postura do jogador de golfe no address antes de iniciar qualquer movimento deverá ser assumindo um ângulo correcto da coluna vertebral. Tanto os músculos posteriores da coxa como a musculatura da coluna lombar encontram-se em tensão permanente. Se estes músculos estiverem encurtados, duros e rígidos, será muito difícil manter a postura durante os 18 buracos sem sobrecarregar de forma progressiva a coluna lombar.
Os praticantes de golfe submetem constantemente as suas articulações e músculos a acções violentas de máxima intensidade, vendo-se muitas vezes vítimas de lesões, precisamente por lhes faltar a flexibilidade necessária, que proporciona uma maior mobilidade, maior velocidade, agilidade e destreza.
A ausência de treinos regulares, assim como desportos que realizam movimentos repetitivos, como é o caso do golfe, provavelmente resultarão na redução do alongamento muscular sendo o principal factor limitativo da mobilidade.
O golfe é um desporto que dispende muito tempo: uma volta ao campo poucas vezes se faz em menos de 4 horas. Por esta e outras razões é raro ver um jogador que termina o seu jogo a realizar exercícios de alongamento, sendo muito mais frequente o típico “buraco 19” jogado com uma “imperial” e uns “salgadinhos”.
Isto é compreensível, depois de tantas horas a atenção vai para a verificação e entrega dos cartões de jogo, logo seguida do “buraco 19” para tomar algo e conversar com os outros jogadores sobre como correu o jogo.
O ideal seria que uma parte da socialização posterior ao jogo de golfe consistisse na realização de alongamentos com o parceiro de jogo, pois o alongamento passivo é fundamental.
Seria óptimo que os campos de golfe implementassem uma zona ideal para a realização de alongamentos, com material adequado para o efeito.
A principal meta do alongamento é recuperar ou restabelecer a amplitude de movimento normal das articulações e a mobilidade dos tecidos moles que cercam uma articulação. Em termos específicos o alongamento permite prevenir contracturas irreversíveis, aumentar a flexibilidade geral, evitar ou minimizar o risco de lesões músculo-tendinosas relacionadas com o golfe e facilitar o desempenho técnico e a performance. Tem ainda efeitos positivos no desenvolvimento da força dinâmica, melhora a circulação local e a remoção dos metabolitos, reduz a tensão muscular e evita a sensação de fadiga no dia seguinte.
Factores que influenciam a Flexibilidade:
A flexibilidade relaciona-se, principalmente, à maleabilidade da pele e à elasticidade muscular que são poderosamente influenciadas por alguns factores, tais como: idade, sexo, individualidade biológica, morfotipo, estado de condicionamento físico, tonicidade muscular, respiração e concentração.
Quanto mais velha a pessoa, menor a sua flexibilidade. Os tendões e as fáscias musculares são particularmente susceptíveis a se espessarem devido à idade. A partir do início da puberdade, a flexibilidade é mais elevada no sexo feminino em comparação com o sexo masculino, devido às diferenças hormonais: a taxa superior de estrogénio produz uma retenção de água superior, uma percentagem mais elevada de tecido adiposo e menos elevada de massa muscular.
A respiração, por si só, não apresenta evidências de que seja capaz de melhorar a flexibilidade. No entanto, ao servir como meio para alcançar a concentração e ao ser utilizada em conjunto com esta, sinergicamente transforma-se num instrumento poderoso de treino, para além de abrir as portas da consciência corporal.
As características genéticas também condicionam a flexibilidade, e é por este motivo que existem variações individuais na elasticidade corporal, observáveis nos anos seguintes à adolescência, entre pessoas da mesma idade.
A flexibilidade é também influenciada por agentes exógenos, embora estes apresentem uma interferência reversível, que cessa ao extinguir-se o factor considerado. Pode-se observar esta influência devido à: hora do dia, temperatura ambiente, exercícios de aquecimento e fadiga.
De manhã, ao levantar, o limiar de sensibilidade dos fusos musculares está acentuado. Devido a este factor, qualquer estiramento da musculatura disparará o reflexo miotático. Os exercícios durante a manhã devem, portanto, ser precedidos de um aquecimento de duração e intensidades maiores. Por volta do meio-dia, tais factores já foram contornados, e a flexibilidade atinge os seus níveis normais.
O frio actua sobre o sistema dos motoneurónios gama, aumentando o tónus muscular. Inversamente, o calor acarreta uma elevada temperatura corporal com efeito inibitório sobre os motoneurónios gama e, consequentemente, o relaxamento da musculatura e aumento da flexibilidade.
Para compreender o papel do treino da flexibilidade, tomemos o exemplo de uma fisga: se estirarmos o elástico ligeiramente e largarmos sairá com uma certa velocidade, mas se estirarmos mais sairá com maior potência.
Quanto maior a flexibilidade do elástico, maior é a força de reacção; pode aplicar-se esse raciocínio ao músculo, que, de certo modo, é um elástico vivo.
É exactamente isto que se passa com os nossos músculos. Quando a rotação do tronco sobre a bacia é máxima – idealmente de 90º para os ombros sobre 45º das ancas – seguirá um swing de grande potência para o qual se necessita ter muita flexibilidade no trem superior e estabilidade no trem inferior.
Voltemos ao exemplo da fisga: se a introduzirmos num congelador durante algum tempo e a retirarmos seguramente não a podíamos estirar para gerar um movimento. É o que ocorre com os nossos músculos quando estão rígidos por falta de flexibilidade natural, ocasionada pela idade e sobretudo se a isto se adicionar um clima frio.
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A ESCOLHA DOS SAPATOS DE GOLFE
Embora não pareça, a escolha dos seus sapatos de golfe deverá ser umas das prioridades do jogador, sendo tão importante como a escolha dos ferros, do drive ou do putter.
O calçado bem escolhido pode ajudar a melhorar o jogo. É raro o golfista que tem consciência de quanto um par de sapatos adequados ao seu tipo de pé e outras necessidades individuais poderá melhorar não só o conforto, mas também a performance.
Para escolher os sapatos de golfe mais adequados deve ter em conta os seguintes factores:
• A impermeabilidade
• O seu ciclo biomecânico e a escolha do formato dos sapatos
• Os "spikes"
• Acomodação
A impermeabilidade
A impermeabilidade é uma questão muito importante para os golfistas.
A relva, em dias chuvosos ou apenas devido à rega, acumula humidade, caminhar em relva húmida com calçado não impermeável resulta em pés molhados e desconforto. Hoje em dia a grande maioria dos sapatos de golfe são resistentes à água ou mesmo impermeáveis, encontrando-se vários níveis de impermeabilidade nos sapatos, dependendo da metodologia utilizada:
Selagem das costuras
Normalmente em couro, os sapatos com as costuras seladas são o nível mais simples de protecção, garante que a água não entra pelas costuras do sapato, se o couro for bem cuidado (impermeabilização com cremes e/ou sprays), será o suficiente para a maioria dos praticantes.
Membrana impermeável
Este é o nível mais elevado de impermeabilização, entre as várias camadas da estrutura superior do sapato existe uma membrana que impede a entrada de água, permitido a libertação do vapor de água (transpiração), mantendo os pés secos. Duas das membranas mais famosas são o Gore-tex® e o Sympatex®, embora seja frequente ver membranas da marca própria do fabricante.
O ciclo biomecânico do pé
Existem três tipos básicos de pé:
a) Cavo: curvatura acentuada no arco plantar e deixam uma pegada com uma ténue conexão entre o calcanhar e a parte frontal;
b) Normal: arco plantar normal e deixam uma pegada com uma ligação visível entre o calcanhar e a parte frontal;
c) Plano: pouca curvatura no arco plantar e deixam uma pegada quase completa no chão (conhecido como pé chato);
Todas as pessoas possuem um ciclo biomecânico único.
O que os diferencia é a maneira como o pé toca o calcanhar pelo chão até impulsionar o corpo com a ponta dos pés. Podemos ser pronadores, supinadores ou normal.
As pessoas com pé plano apresentam tendência para a pronação e as pessoas com o pé cavo apresentam tendência para a supinação. Porém deixamos claro que o tipo de pé apenas representa uma tendência para uma determinada pegada, pois outros factores como joelhos varos ou valgos e a flexibilidade das articulações, influenciam o modo como colocamos o pé no solo.
Para determinar o seu tipo de pé faça o teste da impressão molhada: mergulhe o seu pé em água e faça uma marca numa superfície com o seu peso (exemplo: poderá ser depois do banho nos azulejos do chão), depois compare a impressão com as marcas deixadas pelos três tipos básicos de pé.
O calçado possui características que ajudam a compensar esses problemas.
A escolha do formato dos sapatos
Saber qual o seu tipo de pé é importante saber para escolher o sapato que lhe dará o melhor conforto e rendimento.
1- Calçados com controle do movimento – São os mais rígidos – Geralmente, são mais pesados, mas muito duráveis, e têm sola plana para oferecer maior estabilidade e suporte – Deve preferir este tipo de calçado caso tenha um grau de pronação muito acentuada. (Ex: Ecco World Class GTX)
2- Calçados com estabilidade - Estes calçados possuem uma boa estabilidade, mas não descuram o amortecimento. Amortecem o impacto, pelo menos no calcanhar, e sua estrutura procura minimizar o movimento de pronação, estabilizando o pé após o contacto com o solo – geralmente indicado para pronadores leves a moderados, mas os neutros e supinadores leves podem optar por modelos dessa categoria, desde que o nível de amortecimento seja adequado ao seu peso – Sola semi-curva. (Ex: Ecco New Classic)
3- Calçados com amortecimento - Amortecimento seria o oposto em relação à categoria controle de movimento - tem como principal objectivo amortecer o impacto com o solo - Os supinadores, que normalmente têm o pé mais rígido (e portanto menos eficiente como amortecedor natural), devem procurar os modelos mais adequados – Sola curva ou semi-curva para estimular os movimentos dos pés. (Ex: Ecco Ultra Performance)
Os Spikes
Os spikes são de extrema importância para os sapatos de golfe, mantém os seus pés estabilizados e ancorados à relva, evitando que escorregue ou perca o equilíbrio. No final da década de 1990, foram sendo introduzidos gradualmente os spikes em material termoplástico, também conhecidos por "soft spikes", mais confortáveis que os de tugnésio / aço, muito eficazes, especialmente em pisos menos húmidos, por distribuírem o peso por uma área maior, diminuindo igualmente os danos nos campos. Os soft spikes tendem a desgastar mais rapidamente, pelo que será necessário vigilar o seu desgaste com frequência.
Softspikes
Existem modelos de sapatos sem spikes ou em inglês; "spikeless", possuem solas com padrões agressivos para maior tracção, Como ponto forte destaca-se o facto de não ser necessário substituir os spikes, como desvantagem destaca-se a menor tracção oferecida. (Ex: Ecco Fashion Life e Golf Street)
Spikless shoes
Acomodação
É muito importante que o pé possua espaço dentro dos sapatos para funcionar tal como foi criado pela natureza: descalço; como norma deixe uma folga igual à largura da unha do seu dedo polegar entre o final do seu dedo mais longo e o início dos sapatos.
Os seus pés alargam e expandem durante a prática desportiva devido ao efeito do calor e do impacto. A prática desportiva continuada com tempo quente poderá fazer os seus pés expandirem um tamanho e meio ou mais, por isso não compre sapatos como se fosse para estar parado com eles calçados.
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GOLFE ADAPTADO – UMA FERRAMENTA TERAPÊUTICA
Deficiência é o termo utilizado para definir a ausência ou disfunção de uma estrutura psíquica, fisiológica ou anatómica. Actualmente, esta palavra é considerada inapropriada, podendo promover o preconceito em detrimento do respeito ao valor integral da pessoa.
A deficiência pode ser qualquer coisa que se desvia do normal. Normalmente, mediante este conceito, só pensamos em patologias graves como paralisia cerebral, esclerose múltipla, espinha bífida, Parkinson, deficiência visual, acidente vascular cerebral, displasia da anca ou lesão medular como "deficiência", quando na verdade a deficiência pode ser qualquer coisa mais natural, que resulte ou não em algum tipo de incapacidade, tal como: artrose da anca, hérnia discal, artrite reumatóide, desigual comprimento dos membros inferiores, controle muscular diminuído, problemas de equilíbrio, entre muitos outros.
O Golfe como ferramenta terapêutica:
Mesmo que uma pessoa deficiente tenha recebido tratamentos de óptima qualidade, num hospital, clínica ou outro centro especializado, é provável que ainda tenha limitações significativas e, ao retornar à sociedade, pode perder algumas das capacidades que possuía. As actividades desportivas, classificadas de acordo com o grau de capacidade e o tipo de deficiência, são uma excelente oportunidade para se continuar a reabilitação e adquirir novas habilidades fora do hospital.
O desporto promove grandes benefícios, tanto sociais quanto psicológicos. A maioria dos países possui uma estrutura para a realização de actividades desportivas, em geral gratuitas, para deficientes. Grande parte dos desportos praticados nesses eventos é adaptada às deficiências dos atletas e há inclusive, competições de nível internacional.
Na década de 50 surgiram as primeiras associações de golfe adaptado (National Amputee Golf Association), porém só nos últimos anos é que o golfe adaptado se começou a desenvolver, com a fundação de clubes de golfe e associações de golfe adaptado na Europa. Em Portugal, fala-se já da criação de um comité de golfe adaptado. Foi com agrado que li esta notícia, pois lido todos os dias com pessoas deficientes e quero que elas tenham pelo menos o prazer de conhecer e experimentar o melhor desporto do mundo. Fico assim atento para ver como vai decorrer este novo projecto da FPG.
No golfe as populações especiais mais encontradas são: os amputados (tanto dos membros inferiores como superiores), paraplégicos (estes que necessitam ou não de uma cadeira especial quanto começarem a jogar no campo – Single Rider Golf Car) e pessoas com deficiência mental, como é o caso da Síndrome de Down.
Imagem 1: Single Rider Golf Car
Golfe Adaptado
Este tipo de programa é destinado às pessoas que tem algum tipo de incapacidade física ou mental, desde pessoas que sofreram um acidente vascular cerebral, uma amputação, artrite, displasia da anca, lesão medular, a pessoas amblíopes ou cegas, e outro tipo de incapacidade, quer seja adquirida ou inata.
A aprendizagem pode começar desde o hospital, clínica ou centro de recuperação, passando pelo driving range, terminando no campo propriamente dito, recorrendo a equipamento e/ou técnicas de golfe adaptadas aprendidas por profissionais qualificados.
Após esta aprendizagem os jogadores estarão aptos para jogar torneios locais, competindo de igual forma com os outros jogadores na modalidade net através do sistema de handicaps.
Equipamento de Golfe Adaptado:
Existe uma grande variedade de equipamentos de golfe adaptado para jogadores com uma vasta gama de deficiências.
Um dos exemplos observados no mercado é a adaptação para jogadores em cadeira de rodas, como o Single Rider Golf Car da Golf Xpress ou da "Model Tee"™. Este carro permite ao indivíduo com deficiência ter acesso completo ao campo, incluindo fairway, rough, green e mesmos os bunkers. Pode jogar a partir de uma posição sentada, ou o banco pode girar 360 graus e ser elevado a uma posição erecta. Há fitas para segurar o jogador no lugar e controles especiais que lhe permitem mover o carrinho de controle desejado e posicionamento.
Estão ainda disponíveis muitos outros auxiliares de golfe adaptável para ajudar os golfistas com uma variedade de necessidades especiais:
-Luvas adaptadas: extremamente úteis para pessoas com artrite ou força de preensão diminuída para garantir um melhor controlo e aderência do taco, tais como o grip mate, powerglove ou sure grip.
- Adaptações para tacos de golfe ou tacos de golfe com lie alterado para jogadores de cadeira de rodas.
- Dispositivos adaptativos que ajudam com a colocação do tee e da bola de golfe para os indivíduos em cadeira de rodas ou aqueles com diminuição da amplitude de movimento, tais como o Kool Tee, o ScrambleStickGolf ou o Upright Golf.
- Para jogadores amputados dos membros superiores existem ainda próteses especiais para o golfe, como por exemplo o amputee golf grip.
É evidente o benefício que o golfe pode trazer a cada indivíduo e se pensarmos que as pessoas com necessidades especiais conseguem melhorar o controlo motor, o equilíbrio e a coordenação, a resistência cardiovascular, a participação (reintegração) social e auto-estima, então não restam dúvidas da importância que tem este desporto nobre, no desenvolvimento do jogador e das suas capacidades.
Resta-me informar que os interessados em aprender ou aperfeiçoar golfe adaptado, a LisboaPhysio iniciou este tipo de aulas no Driving Range do Golfe da Belavista.
Imagem 2: Jovem jogador em cadeira de rodas
Imagem 3: Jovem amputado do membro inferior
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| O PROGRAMA "Personal Golf Physio" |
Exame físico estático e dinâmico;
Avaliação Postural;
Análise biomecânica do Swing;
Sessões de Fisioterapia: Reeducação Postural Global (RPG); Método das Cadeias Musculares; Microkinesitherapie; Massoterapia; Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (PNF); Pilates; Ginástica Abdominal Hipopressiva (GAH); Stretching Global Activo (SGA); Reflexologia; etc...
Prescrição de exercícios de aquecimento e de retorno à calma;
Prescrição de exercício físico aeróbio e anaeróbio;
Plano Alimentar;
Levantamento do material desportivo;
Acompanhamento psicológico;
Acompanhamento em competições.
Os objectivos desde programa são:
Aplicação mais fácil da técnica;
Melhorar a Postura;
Melhorar o equilíbrio durante o swing;
Melhorar os reflexos e a sensibilidade para com a bola;
Aumentar o bem estar físico e psíquico;
Melhorar a condição física;
Aumentar a capacidade de concentração;
Equilibrar e harmonizar o sistema muscular e articular;
Focar a concentração e a tensão muscular para a musculatura decisiva no gesto desportivo;
Prevenir Lesões.
Assim pretende-se demonstrar a mais valia que um fisioterapeuta pode ter no acompanhamento do golfista, quer como prevenção, quer como manutenção e recuperação.
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| QUESTÕES |
Exmo Sr. Fisioterapeuta Carlos Guerreiro,Gostaria de saber qual a melhor opção para um
almeida.jj@sapo.ptQ: Exmo Sr. Fisioterapeuta Carlos Guerreiro,
Gostaria de saber qual a melhor opção para uma boa hidratação durante uma volta de 18 buracos.
Obrigado desde já e parabéns pelo site,
J. Almeida R: A pedido do leitor Sr. J. Almeida, publiquei o novo artigo "Alimentação do Golfista"
Fisioterapeuta Carlos qual a melhor estratégia de aquecimento antes de jogar um torneio?
Q: Fisioterapeuta Carlos qual a melhor estratégia de aquecimento antes de jogar um torneio? R:
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